Por onde anda a galera do Blade Runner?



Em homenagem às mentes brilhantes que estavam anos à frente de seu tempo, Kraftwerk, David Bowie, vanguardistas que anteciparam o futuro, não podíamos deixar de homenagear o maravilhoso filme futurista de Ridley Scott!

Duas décadas antes de lançar o seu premiado Blockbuster “Gladiador”, em 1982 o cineasta britânico, Ridley Scott, escrevia indelevelmente seu nome nas páginas da história do cinema através de uma produção bem menos palatável e bem mais sombria: “Blade Runner: O Caçador de Androides” (na versão brasileira).

A trama discorre numa versão distópica da Cidade de Los Angeles, no ano de 2019. A humanidade, dentro deste contexto, desfruta do ápice de sua decadência política, econômica e moral, sobrevivendo numa terra assolada por um completo colapso ambiental e cultural, não obstante o significativo avanço científico e de exploração espacial. Os seres vivos, tal como os conhecemos, já não existem mais e, para sanar a sua falta, réplicas deles são criadas em laboratórios por meio de uma avançada engenharia genética; não tarda para que o mesmo seja feito com seres humanos. Todavia, estes humanos confeccionados artificialmente – chamados de “replicantes” – são mais ágeis, mais fortes e mais inteligentes do que um ser humano “comum”; a eles se destinam os trabalhos mais degradantes e que as pessoas “convencionais” não se prestam a realizar. Devido à sua superioridade intelectual e física, portanto tornando-se uma ameaça, os replicantes foram banidos da Terra e, se porventura, algum retornar ao planeta, é ferozmente caçado. Justamente é esta função o protagonista do filme desempenha, o agente Rick Deckard (Harrison Ford) da “Agência de Caçadores de Androides”, que ao investigar um grupo organizado de replicantes que tenta se infiltrar em nosso planeta, depara-se com uma trama sombria, perturbadora e que culmina num final surpreendente e incômodo.

Blade Runner está longe de ser mais uma ficção científica comum e com prazo de validade, este filme nos convida, de maneira ácida, a uma grande reflexão acerca dos excessos nos nossos hábitos de consumo e da maneira questionável como nos organizamos social e politicamente. Cada cena que ilustra aquele mundo decadente força-nos a assistir um amanhã soturno e triste que nos aguarda, caso a humanidade continue galgando seu futuro desta perigosa maneira.

Grandes atores se consagraram nesta produção, outros caíram no ostracismo em relação ao grande público. Nos parágrafos a seguir, saberemos um pouco sobre o que houve e por onde andam os profissionais que deram vida aos controversos personagens de Blade Runner.

Harrison Ford (Rick Deckard) Quando Blade Runner foi lançado, Harrison Ford já era um ator veterano, dezesseis anos após sua primeira aparição nas telonas e com cinco anos interpretando o icônico Han Solo na franquia Star Wars, seu personagem no filme de Ridley Scott conferiu-lhe patamares profissionais que iam além da cultura pop. Ford continuou, nas décadas seguintes, participando de produções de sucesso, o que lhe agraciou o recorde como o ator que mais trouxe renda de bilheteria aos estúdios de todos os tempos. Não obstante seu sucesso recente em “Os Mercenários III”, nas últimas décadas, o ator destaca-se por reinterpretar e manter vivos os personagens clássicos que mais lhe trouxeram fama e prestígio. Em 2008 reviveu o famoso arqueólogo aventureiro em ”Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” e, em 2015, abraçou novamente a luta contra o “Lado Negro da Força”, no seu consagrado papel de Han Solo, em “Star Wars: O despertar da Força”. Além do que, ao que tudo indica, Harrison Ford, em outubro deste ano (2017), voltará a caçar replicantes na sequência de Blade Runner(Blade Runner: 2049).

Daryl Hannah (Pris) A atriz norte-americana nascida em 1960, na cidade de Chicago, fez a sua primeira aparição no cinema já aos 18 anos (em 1978), e em grande estilo, no filme “A Fúria”, do consagrado cineasta Brian de Palma. Todavia, foi somente em 1982 e justamente interpretando a replicante “Pris”, de estética Post Punk, em “Blade Runner”, que a atriz conquistou patamares mais elevados em sua carreira – Hanna pôde, através desta personagem, executar performáticas acrobacias, fruto do seu conhecimento em ginástica artística. Ainda na década de 1980, Daryl participou de outras produções de sucesso e que a tornaram bastante conhecida pelo público, tais como “Splash, Uma Sereia em Minha Vida” (Ron Howard) de 1984, “Roxanne” (Fred Schepisi), de 1987. Ainda em 1987, é dotado de grande destaque o trabalho da atriz em “Wall Street: Poder e Cobiça” (Oliver Stone), que lhe rendeu um prêmio “Razzie”.

Durante a década de 1990, Hannah continuou no cinema e teve a oportunidade de interpretar personagens muito conhecidos da “Cultura Pop”, como a matriarca da família Adams, “Mortícia”, no filme “O Retorno da Família Adams” (Dave Payne), de 1998. Três anos antes, a triz conquistou um lugar no hanking das 100 atrizes mais sexies da história do cinema, segundo a revista “Empire”. Depois dos anos 2000, o trabalho que mais se destaca de Daryl foi a enigmática e calculista “Elle Driver”, em “Kill Bill” (Quentin Tarantino), em 2003 e 2004. Em 2015, a atriz compôs o elenco da série “Sense 8”, dos mesmos criadores de “Matrix”.

A atriz destaca-se ainda no que se refere ao seu ativismo político quanto às questões ambientais. Vegana desde os onze anos, sempre levantou bandeiras em prol a uma organização social mais sustentável. Em virtude disso, em 2011, foi presa ao protestar contra o despejo de pequenos agricultores na Califórnia de uma propriedade adquirida por um latifundiário magnata.

Rutger Hauer (Roy Batty) O ator oriundo dos Países Baixos desfrutou da primeira guinada significativa em sua carreira quando participou, em 1973, do filme “Turkish Delight”, de Paul Verhoeven (mesmo diretor de RoboCop). Contudo foi no ano de 1982, justamente quando interpretou o líder rebelde dos replicantes, Roy Batty, em Blade Runner, que a sua trajetória na Sétima Arte alçou voos mais altos, tornando-o posteriormente um dos principais atores de filmes de ação da década de 1980. Apesar de seu sucesso, Hauer acabou sendo associado pelo público somente a este gênero específico e consequentemente, com o passar dos anos, foi perdendo a sua aparência jovial e o vigor físico – o que inevitavelmente culminou no ostracismo e o limitou a papéis secundários. Em 2005, com sua participação em “Sin City: A Cidade do Pecado” (Frank Miller) e em “Batman Begins”(Cristopher Nolan), tudo indicava que talvez o ator recuperasse o prestígio do qual já desfrutara décadas atrás, mas isso não aconteceu. O último registro das atividades de Hutger Hauer nas telonas foi em 2013, no filme “RPG”(Tino Navarro),uma produção que não obteve muita relevância para o público tampouco para a crítica.



Sean Young (Rachel) A atriz norte americana, nascida no Kentucky e filha de um conhecido produtor de televisão e jornalista (Donald Young), alcançou os cumes mais altos de sua carreira na década de 80. Sua trajetória no cinema teve início no ano de 1980, quando participou do filme “Jane Austin em Manhattan” (James Ivory), mas foi somente quando deu vida à enigmática Rachel em Blade Runner, que seu nome tornou-se conhecido e aclamado entre o público cinéfilo da época. Seu sucesso no filme de Ridley Scott abriu as portas para que dois anos mais tarde, Sean Young garantisse um papel em outro filme clássico desta década, interpretando Chani, em “Duna” (de David Lynch).

Deste ponto para frente, alguns revezes marcaram a trajetória da atriz nos anos que se seguiram, consequentemente impondo um arrefecimento em seu sucesso profissional. Em 1987, coube a ela o papel da esposa do protagonista, interpretado por Michael Douglas, de “Wall Street: Poder e Cobiça” (Oliver Stone), mas desentendimentos entre a atriz e o diretor fizeram com que a participação de seu personagem fosse drasticamente reduzida. Em 1989, fez parte do elenco de “Batman” (Tim Burton), mas um acidente que a lesionou durante as gravações iniciais impediu que a atriz sequer assumisse o papel. Daí em diante Sean galgou papéis cada vez menores no cinema, em 2013 participou de um episódio piloto de uma eventual nova série do “Star Treck” concebida por fãs da franquia (Star Treck: Renegates). Hoje é possível vê-la, esporadicamente, em alguns eventos televisionados ou, dando uma entrevista ou outra, em programas da TV americana, estilo “David Laterman”. Sua participação não foi confirmada na sequência “Blade Runner: 2049”.

Edward James Olmos (Gaff) O ator nascido na Califórnia em 1942 e de ascendência mexicana, nem sempre teve a Sétima Arte como vocação. Ainda jovem, sonhava em se tornar um jogador profissional de baseball e posteriormente, em seus anos de universidade, trilhou por um breve tempo a carreira musical, com sua banda de rock chamada “Pacific Ocean”, a qual lançou seu primeiro e último álbum, “Purgatory”, em 1968. No final da década de 1960, Olmos migrou da música para as artes cênicas, no entanto, foi durante a década de 80 que ele conquistou o público através de grandes produções audiovisuais; além de Blade Runner, o ator obteve grande destaque na série “Miami Vice”, o que lhe rendeu um Globo de Ouro e um prêmio Emmy. Ainda em 1988, foi indicado ao “Oscar” pela sua participação em “O preço do Desafio”.

Durante a década de 1990, Olmos, além de importantes trabalhos no cinema e na TV, dedicou-se ao ativismo em prol de melhores condições de vida para os imigrantes latinos nos Estados Unidos e, em 1997, co-fundou o Los Angeles Latino Film Festival - o que permitiu e viabilizou maiores espaços para produções latino-americanas no território estadunidense. Nos anos 2000, Edward destacou-se muito em 2003, pela sua atuação na aclamada série de ficção científica “Batlestar Galactica”. Sua mais recente aparição de peso na Grande Indústria Audiovisual deu-se em 2014, na série de TV “Agentes da S.H.I.E.L.D.”, baseada nas histórias em quadrinho da Marvel Comics, onde incorporou o vilão Robert Gonzalez.

07/08/2017 - Raphael Mussato

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