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A Lagoa Azul

 

Quando o filme “A Lagoa Azul” chegou aos cinemas em 1980, polêmica e controvérsias não faltaram e, a maioria delas, completamente infundada.  Houve até acusações de incesto, porém as duas crianças não eram irmãos.  A personagem de Brooke Shields, Emmeline, claramente chama de tio o personagem Arthur Lestrange, pai do menino Richard, vivido por Christopher Atkins, o que indica a proximidade entre as crianças, permitindo, no máximo, a conclusão de que seriam primos ou que Arthur seria o tutor de Emmeline, responsável pela custódia da menina.

Houve também manifestações moralistas referentes às cenas de nudez da personagem de Brooke Shields, na época com apenas 14 anos, porém os produtores afirmaram que foram utilizadas dublês em tais cenas e este argumento é sustentado até os dias de hoje pela própria atriz Brooke Shields.

As opiniões sobre o filme, embora controversas, podem ser classificadas em três categorias de audiência: aqueles que realmente ficaram chocados e que, provavelmente, se sentiriam da mesma forma passadas quase três décadas, demonstrando sua incapacidade de adaptação à evolução dos tempos; aqueles se interessaram pelo filme unicamente pelas cenas de nudez de Brooke Shields e, posteriormente, se decepcionaram ao ficarem sabendo que tinham visto o corpo de uma dublê de 30 anos; e aqueles que conseguiram absorver a verdadeira mensagem do filme: a história de amor, repleta de doçura, inocência e ingenuidade.

O enredo é bastante simples: nos idos de 1800 (período Vitoriano), duas crianças, Emmeline e Richard, navegam pelo sul do Oceano Pacífico em um navio comandado por Arthur, pai de Richard.  Infelizmente, uma explosão provoca um incêndio de proporções desastrosas, causando o naufrágio do navio.  No tumulto e pânico durante o incêndio, as crianças e o cozinheiro Paddy Button deixam o navio em um bote salva-vidas enquanto o pai de Richard, Arthur, e outros tripulantes do navio, escapam em outro bote.  Ambos os botes ficam à deriva no oceano e acabam por distanciar-se completamente.

Após dias flutuando a bordo do bote, Paddy e as crianças chegam a uma ilha tropical de paisagem exuberante.  Paddy, então, assume total responsabilidade pelas crianças.  Ele as instrui a como se comportarem, como procurarem por alimento e, juntos, constroem uma cabana como abrigo.

Ao explorar a ilha, Paddy encontra restos mortais e sangue humano e conclui que há tribos canibais habitando aquela área.  Temeroso pelo bem-estar das crianças, Paddy os proíbe terminantemente de irem àquela área da ilha, dizendo que lá mora o “bicho-papão” e os faz jurarem que jamais se aventurarão naquela direção.  Outra proibição imposta por Paddy às crianças: para que jamais engulam uma espécie de semente frutífera que Emmeline encontra, e que seriam fatais se ingeridas.  Paddy as nomeia de “fruto proibido”.

A sensação de engolir tais sementes assombra Emmeline em pesadelos que ela tem durante o todo o decorrer do filme.

FICHA

"A Lagoa Azul "
Título original:
The Blue Lagoon
EUA, 1980, 105 minutos.

Brooke Shields - Emmeline
Christopher Atkins - Richard
Leo McKern - Paddy Button
William Daniels - Arthur Lestrange
Elva Josephson - Jovem Emmeline
Glenn Kohan - Jovem Richard
Alan Hopgood - Capitão
Gus Mercurio - Oficial

Direção: Randal Kleiser
Roteiro: Douglas Day Stewart, baseado em livro de Henry De Vere Stacpoole
Produção: Randal Kleiser
Música: Basil Poledouris
Fotografia: Néstor Almendros
Desenho de Arte:
Jon Dowding Figurino: Jean-Pierre Dorléac
Edição:
Robert Gordon
Estúdio: Paramount Pictures
Distribuição:
Paramount Pictures

Gênero
: Drama

Passado um período de tempo não especificado, Paddy morre após beber excessivamente.  Bastante assustadas, as crianças decidem embarcar no bote à procura de outra praia como moradia e lá constroem uma nova cabana.

Em seguida, o filme mostra os personagens Richard e Emmeline já na puberdade.  Cresceram saudáveis e tornaram-se belos adolescentes.  Ambos passam a maior parte do tempo juntos, nadando, pescando, mergulhando à procura de pérolas.

Seus corpos se desenvolvem e naturalmente tornam-se atraentes um ao outro.  Os jovens, então, sentem que estranhas emoções começam a influenciar seu relacionamento, mas não sabem como expressá-las.

Destaque para a cena em que Emmeline menstrua pela primeira vez e fica aterrorizada com o fato.  Quando questionada por Richard, Emmeline sente-se profundamente envergonhada e se nega a explicar-lhe o ocorrido.

Sempre curiosa, Emmeline desobedece a regra imposta por Paddy e vasculha a área proibida da ilha.  Lá, depara-se com uma enorme estátua em pedra, uma espécie de santuário, com vestígios de sangue.  Emmeline, imediatamente, reconhece que se trata de um local sagrado, e então se ajoelha e reza.  Mais tarde, ela diz a Richard que Paddy estava enganado, que não havia nenhum “bicho-papão” naquela parte da ilha e que a estátua que sangrava como Jesus, era, na verdade, Deus.   

É compreensível que os jovens se desentendam em diversas situações.  Por exemplo, ao avistar um navio à distância, Richard corre para acender o sinalizador que haviam construído enquanto Emmeline, que também avistara o navio e estava mais próxima ao sinalizador, decide não acendê-lo porque não queria deixar a ilha.  Richard fica furioso!

Entretanto, quando Emmeline acidentalmente pisa em um peixe venenoso e fica à beira da morte, Richard diz a ela que tem medo de perdê-la.  Desesperado, ele a carrega até o santuário e pede a Deus pela sua recuperação.  Felizmente, seu estado melhora e, reconciliados, os jovens cedem à intensa atração e fazem amor apaixonadamente. 

O sexo torna-se freqüente no cotidiano dos jovens e após alguns meses, Emmeline passa a queixar-se de dor enquanto fazem amor, sendo que ambos não sabem que ela está grávida. 

Embora o público saiba da gravidez de Emmeline, os jovens não têm nenhum conhecimento sobre o nascimento de um bebê e se mostram mais e mais espantados com as mudanças que ocorrem no corpo de Emmeline.  Richard supõe que ela está engordando por comer demais.

Certa noite, Richard acorda e não vê Emmeline ao seu lado. Sai imediatamente à sua procura pela floresta, enquanto ouve o som de tambores vindo do lado proibido da ilha.  Os sons eram provenientes de uma tribo nativa que sacrificava seus inimigos capturados no santuário. 

Richard segue os gritos desesperados de Emmeline e chega a tempo de ajudá-la a dar à luz ao bebê, a quem dão o nome de Paddy.

O jovem casal volta toda sua atenção ao bebê.  Ensinam-no a nadar e brincam com ele na areia molhada.  É durante a brincadeira na areia que eles avistam um navio à distância, vindo em direção à ilha.  Embora Richard sempre tenha demonstrado seu desejo em sair da ilha, ele olha para Emmeline e, sem que ambos digam uma palavra, decidem não acender o sinalizador a fogo, pegam o bebê no colo e ignoram o navio.  A tripulação do navio, comandada pelo pai de Richard, observa os três cobertos pela areia escura e conclui que seriam taitianos nativos, sem associá-los aos jovens que procuram há anos.

Alguns dias depois, Emmeline e o bebê saem para um passeio de bote até a praia onde vivera quando criança.  Distraídos, Richard e Emmeline não percebem que Paddy trouxera consigo uma porção de sementes do “fruto proibido”.  Sem que os pais percebam, Paddy pega um dos remos e o joga no mar. Richard, então, mergulha na tentativa de recuperar o remo, mas é perseguido por um tubarão.  Sem saída, Emmeline atira o outro remo no tubarão para que Richard consiga chegar ao bote a salvo.

Mesmo não estando muito distantes da costa, não há como retornarem à ilha – não há como mergulharem e recuperarem os remos, pois seriam atacados por tubarões.  Inutilmente, tentam remar usando as mãos.  O bote é levado pela maré e fica à deriva no oceano.

Após dias no mar, Richard e Emmeline acordam e vêem Paddy inocentemente comendo as sementes do “fruto proibido”.  Emmeline tenta fazer o bebê expelir as sementes, mas ele já as tinha engolido.  Conforme Paddy lentamente vai ficando inconsciente, Richard separa as sementes que sobraram e entrega metade delas à Emmeline.  Totalmente sem esperanças, eles decidem comer as sementes e se abraçam à espera da morte.  Algumas horas mais tarde, o pai de Richard os encontra no bote, e então pergunta a um de seus tripulantes: “Estão mortos?”, e o tripulante responde: “Não, Senhor, estão apenas adormecidos”.

A última cena do filme mostra o pai de Richard entrando no bote, deixando uma pergunta no ar: estariam mesmo adormecidos?

Um romance de pureza incontestável, que marcou época e ainda emociona.


Malú Ignácio

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