Lembranšas
Casas Noturnas dos anos 80
Grande São Paulo

ABC

Sunshine Music:
Famosa balada dos anos 80 do ABC que ficava no Centro de Santo André..... Fechou no início dos anos 90 quando deu lugar a um instituto de ensino.

Clube Primeiro de Maio: Fica em santo André, próximo ao Centro.... Nos anos 80, era comum o lugar receber DJs diversos para fazer as festas temáticas dos anos 80.... Era famoso na época, principalmente por receber a elite da época, a famosa playboizada dos anos 80.

Emerald Hill: considerada uma das melhores baladas do ABC, possuía 3 ambientes em seu interior e as festas enchiam de pessoas que queriam escutar entre o estilo Dark até as músicas Sinthpop.

Aramaçan: As grandes festas no Aramaçan também eram famosas na época. As pessoas vinham de todas as regiões de São Paulo para prestigiar as festas que ocorriam lá. O Aramaçan fica em Santo André.

Ilha de Capri: famosa balada em São Bernardo, ficava às margens da Anchieta e as pessoas vinham de todas as regiões de São Paulo para prestigiar as suas festas. Fechou no fim dos anos 90 cedendo o lugar para festas comemorativas.

Guarulhos

Falar sobre as danceterias de Guarulhos nos anos 80, no meu caso, é algo que pode soar muito pessoal. Eu cresci dentro da Casa do Som, ouvindo Easy Lover e I Can Dream About You, Paralamas e Capital Inicial, minha filha se chama Marina por causa de uma música do Guilherme Arantes, enfim, faz parte da minha história, na infância e na adolescência.

Quando pequenos, eu e meu irmão ficávamos no bar, acabando com o estoque de chicletes e nas raras matinês que aconteciam, enquanto ele corria de um lado para o outro, eu começava minha trajetória implorando para o DJ tocar RPM.

Mas chega de reminiscências, vamos ao que interessa! Uma das primeiras casas de Guarulhos foi a Casa do Som. Foi aberta como Lanchonete, pois não tinham muitas casas noturnas aqui no interior de Guarulhos. Tinha o Memphis, o Recanto Brasileiro, mas o primeiro era mais um barzinho e o segundo, mais para um restaurante, no estilo das casas de show, como o Palace (mas no interior, gente, sem o glamour...rs).

A Casa do Som começou em 1983, com apresentações da banda Patrulha do Rádio (na ativa até hoje - http://www.patrulhadoradio.com.br/). No intervalo da apresentação da banda, rolava discotecagem, mas como no interior as coisas chegavam com certo atraso, no começo da década a banda tocava mais Rock e as discotecagens eram mais 70, com muito Bee Gees e Abba.

Conforme o tempo foi passando, as discotecagens começaram a ser mais pedidas e o tempo entre a apresentação da banda e das discotecagens ficou mais equilibrado. Os donos eram o Vicente Maggio, Sebastião Maggio e Yma de Castro Maggio. O Vicente é o baterista e líder da banda Patrulha do Rádio e permanece na ativa no cenário musical de Guarulhos.

O DJ da época era o Samuca. Aliás, o Samuca foi DJ do Memphis e depois da Casa do Som, entre os anos 83 e 88 e depois de 90 a 94. E foi entre 90 e 94 que as maravilhas que amamos começaram a tocar mesmo, aqui no interior de Guarulhos.

Além da Casa do Som, tinha a Bolha e o Sundays, que tocavam a linha mais black, muito funk, break, soul, e já tinha mais discotecagem que apresentação de bandas. Era o pessoal do “função” que frequentava. Barra pesada, os “boyzinhos” achavam, mas na verdade, mais para o final da década, a dança, o freestyle, a house music invadiu todas as pistas dos anos 80 de Guarulhos, juntamente com o Eletrônico e o Gótico, na casa mais representativa da década, que 10 entre 10 adolescentes frequentavam: A One Way.

Bem, a One Way foi formadora de toda uma geração. Dos que tiveram a sorte de nascer nos anos 70, e puderam frequentar a Casa do Som e a One Way, a maioria tem um repertório musical diferenciado. Eu diria, bom gosto musical...rs Tenho um CD gravado em homenagem a One Way, com algumas das músicas mais pedidas mais para o final da década:

1 – The 2 Live Crew – The Revelation
2 – Alphaville – Sounds Like a Melody
3 – Man 2 Man – Energy is Eurobeat
4 – Mickey Olivier – In ten sit
5 – The Rhythm Section – Laser Nation
6 – Umo Detic – Carpe Diem
7 – Front 242 – Welcome to Paradise
8 – The Clash – Brand New Cadilac
9 – Billy Souier – The Stroke

E eu lembro de como dançava todas essas músicas. E todos dançávamos igual, mas formavam-se rodas e no meio o pessoal mais fera na dança fazia passos incríveis. Era sensacional. E nessa seleção tem duas das músicas que mais amo, Sounds Like a Melody e Carpe Diem.

Bem, havia muitas outras casas, como o New Wave e o Music Hall, que não sobreviveram a década, e o Street, o Revivendo, o Lua Nua, a Alta Tensão, que seguiram década de 90 afora, tocando rock nacional e internacional, predominantemente. O Alta Tensão tinha uma matinê Rockabilly, se não me engano.

Não tínhamos tantas casas noturnas por aqui, mas essas casas foram históricas e marcaram muito nossa adolescência, tocando as maravilhas da melhor década da música!

Agora, depois de denunciar a minha idade com esse texto, vou me despedindo ao som de Umo Detic.

Osasco

O Rhapsody Club foi uma das principais casas noturnas da região de Osasco, começou em 1984, criado por Raimundo Braga, chamado pelos frequentadores de Braga, como no Autobahn, gostava de conversar com os clientes, e a casa já começou com Dress Code dos mais seletivos da Grande São Paulo, o que fazia a diferença nos primeiros anos, por ser uma casa instalada em Osasco, ainda havia o preconceito de quem era de São Paulo, então a casa logo na primeira noite já o Dress Code dos mais radicais e que influenciaram toda a noite de SP.

Não era permitida a entrada de homens trajando tenis, camisetas e bonés. Nem tenis, era permitido apenas sapato ou o sapatinhos de camurça estilo London Fog ou Dock Sides. Camiseta também não entrava, apenas de camisa social ou camisa pólo. Como nos anos 80, o Blitz Club na Inglaterra havia inventado o Dress Code na era New Romantic, algumas casas em São Paulo como o Gallery e o Rhapsody adotaram o Dress Code, lembro que pra ir na casa a primeira vez, fiquei todo preocupado em me arrumar para ir na balada, com um sapatinho marrom da London, e camisa Pólo da Bruno, que era o mínimo pra entrar, eu não curtia sapato social na época. Toda essa política fez o Rhapsody se destacar de todas as outras danceterias de Osasco e escrever sua própria história.

Nessa época as bandas mais tocadas eram Devo, B-52s, New Order, Cure, Ira, Smiths, Oingo Boingo, Metro, Duran Duran. Com o advento do Acid House, que já tomava casas como Espaço Retrô e Madame em São Paulo, e começavam a estourar nas casas mais "pops" como Up & Down, Contramão, Hippodromo, o Rhapsody mudou sua política de Dress Code para participar também da revolução do Acid House na noite de SP. Nessa fase já podia entrar de tenis e camiseta, e continuaram proibidas apenas regatas, bermudas e bonés, um ano mais tarde, abanadoram até essa política e acabaram com o Dress Code.

Foi a fase mais cheia da casa, os preços caíram muito, o serviço também, mas a casa se popularizou bastante e de repente a própria cidade de Osasco e Carapicuíba já respondiam por 100% do público da casa, o público de São Paulo que frequentava nessa fase da mudança começou a frequentar o clube Hortência, que tinha adotado o Dress Code e recebia a parte mais elitizada da cidade. O set também era diferente, o Hortência, a exemplo da Woodstock na Rua da Consolação, carregava mais no New Beat e EBM, e principalmente Technopop, chegando a fazer um histórico especial de bandas belgas em 1988, quando o EBM ainda engatinhava em terras brasileiras.

Com essas mudanças o Rhapsody viveu seu auge, mas infelizmente viu também o começo do seu fim, o público mudou muito, quem queria requinte e satisfação musical começou a procurar outros locais, e a casa popularizou demais, chegando nos 90 a fazer festas de pagode, sertanejo, perdendo completamente seu norte e assim decretando a falência enquanto alternativa na noite de SP, durando mais alguns anos, mas atraindo um público totalmente diferente daquele do começo, onde fãs do New Order, Smiths e Cure disputavam cada espaço dentro da casa, ou da fase Acid House, onde fãs de Tragic Error, New Order, Noel, Information Society e Front 242 batiam cartão na balada!

 

Cris Maggio, Marcos Vicente e Reynaldo Rivero