Lembranšas
Walkman

Quem nunca gostou da idéia de poder ouvir música onde quer que fosse? Hoje em dia com o lançamento de aparelhos como MP3 e MP4 ficou muito mais fácil. Mas nem sempre foi assim. Alguns carregavam seus aparelhos de som pelas ruas, principalmente aqueles que dançavam break ou andavam de skate, o que não era tão prático.

Mas com o lançamento do Walkman tudo ficou mais fácil! Quem não queria um? De vários modelos e cores e de várias marcas, podíamos ouvir música a qualquer hora e em qualquer lugar. Era o máximo!

Podíamos ouvir música a caminho da escola e no intervalo, enquanto andávamos de skate ou de bike, ou de patins para quem gostava. Rs. Poder ouvir música na rua era a melhor parte. Eu carregava o meu para todo lugar! Sensação indescritível de liberdade! Algo que hoje em dia é comum, mas que na época era novidade e parecia impossível.

Outra coisa que eu gostava demais era ouvir música antes de dormir! Como era bom poder ouvir música à noite sem se preocupar com o volume para não acordar a casa inteira e os vizinhos! Podia ouvir do jeito que eu mais gostava, no último volume e sem incomodar ninguém. Tem coisa melhor? Eu sempre dormia com o fone no ouvido e acordava no dia seguinte com aquele chiado que o aparelho faz quando termina o lado da fita, rs. Além da dor no ouvido por causa do fone.

Não tinha nada melhor do que passar à noite gravando fitas com os melhores lançamentos e montar a trilha sonora do dia seguinte ou de uma viagem!

Nos anos 80 algo curioso surgiu com os Walkmans para os mais apaixonados por esta tecnologia. Bem no começo dos anos 80 apareciam diversas marcas e até nomes “genéricos”, isto se deu devido à outra febre no começo dos anos 80 que foram das pessoas fazerem os famosos “bate e volta” ao Paraguai. Era muito comum nos depararmos com marcas “UNISEF” e “UNICEF”. Rsrs Além de marcas bizarras imitando as famosas, por outro lado no Paraguai também vendiam os produtos originais com um preço bem mais acessível do que no Brasil.

Quando disse no parágrafo acima sobre os apaixonados por esta tecnologia, foi devido ao fato de vários aparelhos melhorarem a qualidade não só como o Walkman, mas também com os tipos de fone de ouvido onde a SONY também teve grande sucesso nisso, além dos vários tipos de fita cassete pela mesma marca, isto já no final dos anos 80 e anos 90.
Existiam fones de ouvido para Walkman com valores absurdos, mas de ótima qualidade que às vezes parecia que você estava usando um outro Walkman. Nas lojas de Galeria na Rua 7 de Abril, Rua Barão de Itapetininga e Rua 24 de Maio era muito comum ver lojas que vendiam estes tipos de fones de ouvido que na época eram de última geração, além de Walkmans e os mais variados tipos de fita cassete. Lembrando que ainda existem alguns aparelhos interessantes que vendem até hoje em algumas lojas que restaram.

Mais tarde a própria SONY apareceu com seu Walkman digital que virou uma grande novidade, pois era algo muito procurado. Imagine você deixar de mexer no seu “dial” e ver tudo em digital. O mesmo ocorreu com os modelos de Walkman resistentes a água, que de fato funcionavam! Lógico que não era para entrar na piscina, uma vez que você usava um fone de ouvido que não era a prova d’água. Apesar que no final dos anos 80 e 90 já existia esta tecnologia para falantes que eram a prova d’água da marca Pioneer e Alpine que eram e são utilizados para barcos, iates, etc. Mais conhecido como falantes marítimos.
A marca AIWA também lançou vários modelos interessantes com bastante memória para armazenar as emissoras e sistema de áudio, todavia tinham alguns modelos grandes e pesados que não eram tão confortáveis para aqueles que utilizavam Walkman para correr, andar de bike e skate.

Quando apareceu o CD – Compact Disc no Brasil, o Walkman ainda era muito interessante, pois quantas e quantas vezes nós íamos gravar com aquelas fitas cassete na casa de um amigo com CD Player para ouvirmos depois no Walkman nos sentido com uma ótima qualidade de áudio, não é mesmo? :) Depois apareceram os Disc Laser “compactos” que tinham a função de Walkman (Disc Man), mas não foi algo que “pegou” tanto devido ao seu tamanho e pra variar os preços elevados com impostos e mais impostos que temos no Brasil e o perigo de assaltantes. Dois fatores que infelizmente ocorrem até os dias de hoje.

O Walkman revolucionou a forma de ouvir música e facilitou muito nossa vida, até então essa coisa de som individual não existia. Ele consolidou essa maneira de ouvir música que é tão comum hoje em dia. Vemos várias pessoas de fone de ouvido, principalmente nas ruas, no metrô ou no ônibus. Praticamente todo mundo escuta música em seu MP3 ou smartphone, não importa a idade.

Com o surgimento de aparelhos mais modernos e cada vez menores o walkman deixou de ser usado. Com exceção dos saudosistas como eu que provavelmente tem um modelo de recordação em casa. As novas gerações provavelmente nunca viram e nem mesmo sabem o que é um walkman. Não imaginam a alegria que esses trambolhos, que para nós pareciam tão pequenos, nos proporcionavam. Achava o máximo da tecnologia, rs.

Uma cena interessante mais atual foi o filme Super 8 – lançado em 2011 com a produção de Steven Spielberg e J.J. Abrams, pois é um filme que se passa em 1979 e tem uma cena que aparece um rapaz com um Walkman e chega a dizer para o Xerife local que é uma grande novidade. Uma cena muito interessante, mais ainda porque o a música que toca é da Blondie - Heart of Glass.

Um pouco da história

O primeiro modelo de toca fitas portátil foi lançado em 1972 pelo alemão Andreas Pavel. Pavel morava no Brasil quando criou o aparelho, que se chamava Stereobelt. Mas o aparelho que se tornou mundialmente conhecido, e que é chamado de Walkman, foi lançado no Japão pela SONY. O primeiro modelo foi o TPS-L2, de 1979.

Walkman na verdade é nome de uma linha lançada pela Sony para aparelhos portáteis. Tanto que até hoje usam esse nome para a linha de MP3, MP4 e smartphones com MP3. Mas como não existia essa infinidade de mídias na época criamos o costume de chamar todo e qualquer toca fitas portátil de Walkman, independente da marca.

 

 

Natascha Coelho e Vanderlei Schiavolin