Notorious

David Bowie - Heroes

Gravado e lançado no ano de 1977, “Heroes” é o décimo segundo álbum da longa carreira de David Bowie e até hoje causa muita admiração por parte de seus fãs e da mídia.

Esse trabalho compõe a famosa “Trilogia de Berlim”, juntamente com os discos - Low (lançado no mesmo ano) e Lodger (1979), fase que é marcada pela colaboração e parceria com Brian Eno e na qual as canções com abordagens experimentais minimalistas refletem a influência do krautrock e de grupos como o Kraftwerk e Neu!.

FICHA

"David Bowie ‎– Heroes"
Data de Lançamento:
1977
Faixas: 10 faixas
Duração: 41 minutos aprox.

Faixa a Faixa:
Lado A
01. Beauty And The Beast - 3:35
02. Joe The Lion - 3:07
03. "Heroes" - 6:05
04. Sons Of The Silent Age - 3:18
05. Blackout - 3:46

Lado B
01. V-2 Schneider - 3:10
02. Sense Of Doubt - 3:56
03. Moss Garden - 5:05
04. Neuköln - 4:33
05. The Secret Life Of Arabia - 3:45

Backing Vocals - Antonia Maass, David Bowie, Tony Visconti
Baixo - George Murray
Engenheiro - Colin Thurston, Tony Visconti
Engineer [Assistente] – David Richards, Eugene Chaplin
Guitarra - Robert Fripp
Bateria - Dennis Davis
Fotografia [Capa] – Sukita
Produtor - David Bowie, Tony Visconti
Guitarra Rítimica - Carlos Alomar
Sintetizador, Teclados, Efeitos [Tratamento de Guitarra] - Eno
Vocal, Teclado, Guitarra, Saxofone, Koto - David Bowie
Escrito por - Eno e Bowie

Gravadora: RCA

“Heroes” foi o único álbum dessa fase que foi gravado totalmente na Alemanha (no Hansa Tonstudios em Berlim), sendo que os outros dois discos tiveram partes preparadas em estúdios nos Estados Unidos e Suíça. Devido a este fato, o termo “Trilogia de Berlim” é considerado equivocado por algumas pessoas; entretanto, o próprio Bowie o utiliza para descrever estes álbuns.

O nome escolhido para o título é uma referência à música ‘Hero’ de 1975 da banda alemã Neu! na qual Bowie e Eno admiravam e se declararam fãs na época. A canção que leva o mesmo nome do disco, diz respeito a um casal de amantes que se encontravam diariamente junto ao Muro de Berlim.

Neste álbum, produzido por David e Tony Visconti - que produziu também outros trabalhos do artista - são incorporados sons ambientes de fontes variadas, sintetizadores, saxofone, guitarras, geradores de ruídos e o koto (instrumento japonês).

Além da colaboração de Brian com sintetizadores, teclados e composição em algumas faixas, o trabalho conta ainda com a participação do guitarrista Robert Fripp (líder da banda King Crimson e considerado um dos melhores guitarristas de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone), Carlos Alomar (outro guitarrista e também famoso pela colaboração com variados artistas, como Duran Duran, Simple Minds, Iggy Pop, Mick Jagger etc...), o baixista George Murray e Dennis Davis (baterista). Aliás, Bowie sempre fez ótimas parcerias ao longo de sua carreira.

Lançado originalmente em formato LP pela RCA com 10 faixas e duração total aproximada de 40 minutos, “Heroes” também foi distribuído em formato de CD em 1984 pela RCA e; no ano de 1991, foi relançado pela Rykodisc em CD incluindo duas faixas bônus (‘Abdulmaid’, uma faixa instrumental e ‘Joe the Lion’, na versão remixada). Várias músicas do álbum foram incluídas na trilha sonora do polêmico filme ‘Eu, Christiane F. - 13 Anos, Drogada e Prostituída’, lançado em 1981. Vale mencionar que o artista também fez participação no longa-metragem.

Após seu lançamento em 1977, o disco foi recebido de forma positiva pela crítica, sendo até considerado “o álbum do ano” pelas revistas Melody Maker e NME. Na época de lançamento alcançou a 3ª posição na UK Albuns Chart, ficando aproximadamente 26 semanas na lista dos álbuns mais vendidos no Reino Unido e alcançou a 35ª posição na lista da Billboard Pop Albums nos Estados Unidos. Claro, também é importante mencionar que “Heroes” serviu de inspiração para ninguém menos que... John Lennon! A produção de ‘Double Fantasy’, lançado em 1980 com Yoko Ono, se deu graças sua inspiração após ouvir o trabalho de David Bowie.

Curiosidades e alguns comentários sobre as faixas:

1. Beauty and the Beast: Foi lançada como single no ano de 1978 e alcançou o 39º lugar na Inglaterra. Para alguns, é baseada na história infantil ‘A bela e a fera’ e suspostamente mostra o fascínio de Bowie pelo contraste e a atração entre o bem e mal.

Outra possível interpretação sugere que ‘Beauty and the Beast’ reflete as severas mudanças de humor de David Bowie durante o período em que era viciado em cocaína em Los Angeles. É possível notar claramente as guitarras e os sintetizadores nessa faixa.

2. Joe the Lion: É em parte um tributo para o artista Chris Burden, famoso pela atuação durante a peça ‘Trans-fixed’ de 1974, onde ele é pregado na parte traseira de um fusca, fingindo ser crucificado: “Pregue-me ao meu carro e eu te direi quem você é".

Uma versão remixada dessa música foi lançada em 1991 quando “Heroes” foi relançado em formato de CD, pela Rykodisc.

3. “Heroes”: É a mais longa do álbum e a letra é uma referência a dois amantes que se encontravam junto ao Muro de Berlim, frente a toda tensão que estava envolvida no período da Guerra Fria: “As metralhadoras disparavam sobre nossas cabeças/ E nos beijávamos / Como se nada pudesse ruir”. Depois de ‘Rebel Rebel’, é a música do artistas mais regravada por diferentes músicos (Peter Gabriel, Blondie, Nena, King Crimson etc).

Ah... E adivinhem qual música Dave Gahan cantava quando despertou a atenção de Vince Clarke, que estava procurando um integrante para o seu grupo (que na época se chamava Composition of Sound e mais tarde mudaria seu nome para Depeche Mode) ???

4. Sons of the Silent Age: De acordo com Brian Eno, foi a única canção composta antes das sessões de gravação, enquanto todas as outras foram improvisadas no estúdio. Foi especulado que uma parte da letra poderia se referir ao regime nazista.

5. Blackout: A interpretação mais comum sugere que foi baseada no pânico e confusão que ocorreram durante um apagão na cidade de Nova Iorque, em 1977. Entretanto, há outros possíveis significados que são atribuídos a esta faixa. A letra pode se referir aos ‘blackouts’ que David Bowie teve devido ao excesso de consumo de bebidas alcoólicas antes da sua mudança para Berlim.

As frases: “Leve-me ao médico”, “Tirem-me das ruas”, são consistentes com essa explanação. Outra possível interpretação, é que canção descreve a visita de Angie Bowie para ver seu marido em Berlim: "Ela era uma beleza em uma gaiola" e "Eu tenho dito que alguém está de volta à cidade" também apoiam essa explicação.

6. V-2 Schneider: David tem uma propensão em saudar seus ídolos particulares e inspirações em suas músicas. Isso pode ser notado também nessa canção, na qual a influência musical de Florian Schneider (membro do grupo alemão Kraftwerk) é comparada ao foguete V-2, que foi usado durante pela Alemanha durante as últimas fases da Segunda Guerra Mundial principalmente contra alvos britânicos e belgas. É em maior parte instrumental e única frase que aparece durante a faixa é “V-2 Schneider”.

7. Sense of Doubt: Primeira faixa instrumental de “Heroes”, também foi lançada em 1978 no single ‘Beauty and the Beast’. Transmite o sentimento de melancolia e introspecção. Também aparece em ‘Heroes Symphony’ de Philip Glass.

8. Moss Garden: O título se refere à Moss Garden, que está localizada em Quioto, Japão e é a segunda música instrumental incorpora um estilo japonês devido ao uso do koto (instrumento japonês) por David.

Talvez a canção represente um contraste entre beleza observada em Moss Garden e as péssimas condições de vida que podiam vistas no bairro turco Neukölln, na Alemanha.

9. Neuköln: Terceira e última instrumental do disco, o nome faz referência a um distrito em Berlim (Neukölln) onde imigrantes turcos viviam em péssimas condições de vida.

10. The Secret Life of Arabia: Escrita por Bowie, Eno e Carlos Alomar, para alguns críticos essa música não é consistente com o sentimento geral no álbum. Baseada no longa-metragem ‘Lawrence da Arábia’ de 1962, que conta a excentricidade e a personalidade enigmática de Lawrence.

Taccy Mikulski