Notorious

Human League - Crash

Contra Capa do CD de Crash

"Crash" é o quinto álbum de estúdio do Human League e foi lançado em 1986. Ao contrário dos álbuns anteriores e posteriores da banda, a influência de R&B é evidente.

Depois de passar dois anos gravando seu quarto álbum, "Hysteria", lançado em 1984, que teve um moderado sucesso comercial, a banda esforçou-se para gravar mais material e, em 1985, eles haviam perdido tanto o produtor de “Dare”, Martin Rushent e o músico / compositor Jo Callis. Época de aventuras extras de Phil Oakey, quando chegou a gravar com Giorgio Moroder, parceria que rendeu maravilhas como Together in Electric Dreams,
Goodbye Bad Times e Why Must the Show Go on? Trabalho que apaixonou tanto Phil Oakey, que quando compôs Human, a letra teve o duplo sentido, um pedido de perdão na relação de casal, mas também na relação dele com o resto da banda, por ter apaixonado pela aventura de trabalhar com o gênio dos sintetizadores Giorgio Moroder.

A Virgin Records, preocupada com a falta de progresso no trabalho de uma das suas bandas anteriormente mais rentáveis, chamou os membros do Human League para uma reunião onde uma solução para o impasse na banda foi procurada.

Como o problema foi percebido como a falta de produção, foi sugerido que a banda aceitasse uma oferta para trabalhar nos EUA com produtores de Minneapolis, a dupla Jimmy Jam e Terry Lewis. Jam e Lewis tinham se tornado recentemente produtores muito procurados após o seu enorme sucesso mundial na produção do álbum de Janet Jackson, “Control”. Em 1991, a dupla produziria “Dangerous” de Michael Jackson, talvez seu último grande álbum.


Lado A

Jam e Lewis tinham desenvolvido um interesse em trabalhar com o Human League após o sucesso de seus lançamentos nos EUA, mas eles também procuravam uma oportunidade para passar para o pop mainstream e produzir um álbum do Human League era como uma oportunidade perfeita.

Em fevereiro de 1986, o Human League embarcou para os EUA até Minneapolis para trabalhar nos estúdios Flyte Tyme com Jam e Lewis. Após o entusiasmo inicial em ambos os lados, a relação de trabalho começou a quebrar. Jam e Lewis tinham total controle sobre a finalização do álbum e insistiram que suas próprias faixas prevalecem sobre as do Human League. Jam e Lewis também foram intolerantes com o descontraído método de trabalho passado da banda. Os tecladistas Philip Adrian Wright e Ian Burden tinham sido marginalizados por Jam e Lewis. Wright (um membro original) não se recuperou da humilhação e sentindo-se redundante, ele imediatamente deixou a banda e regressou ao Reino Unido, um ano depois Burden iria segui-lo. Com essa atitude dos produtores, o álbum Crash, se tornou o disco com menos sintetizadores do Human League, que na verdade era o ponto de destaque da banda pelo seu pioneirismo no uso dos sintetizadores, quando ganharam o apelido de os Beatles da música eletrônica. Isso tornou Crash o álbum mais fraco da banda até então, mas com mais apelo comercial utilizando o baixo e a guitarra, que ainda era o que norteava a atrasada produção norte-americana. O que explica o sucesso mais forte no mercado norte-americano.

Após 4 meses, em Minneapolis, Oakey deixou a banda de fora de mais gravações e eles voltaram para Sheffield, deixando Jam e Lewis para completarem o álbum com músicos contratados.

Embora na época a banda tinha tudo, mas lavou as mãos na pós-produção do álbum, ao ser lançado, ele rapidamente se tornou um sucesso inesperado. Uma das composições de Jam e Lewis, 'Human', foi lançada como o primeiro single do álbum e tornou-se o segundo number-one hit do Human League nos EUA e number-eight no Reino Unido.

“Crash” em si, foi mais popular nos EUA que no Reino Unido. Os singles seguintes "I Need Your Loving" e o apenas lançado no Reino Unido em 1988, "Love Is All That Matters" não foram tão bem-sucedidos.


FICHA

"Human League - Crash "
Data de Lançamento:
1986
Número de Faixas: 10
Tempo Aproximado: 40 min

Faixa-a-Faixa:

01. Money 3:54
02. Swang 4:37
03. Human 4:24
04. Jam 4:19
05. Are You Ever Coming Back? 4:52
06. I Need Your Loving 3:43
07. Party 4:29
08. Love On The Run 3:54
09. The Real Thing 4:19
10. Love Is All That Matters

Arranjos - Paul Räbiger
Arte de Capa - Human League, The , Ken Ansell
Engenheiro de Som - Steve Hodge
Fotografia - Gavin Cochrane
Produção - Jimmy Jam & Terry Lewis

Gravadora: Virgin

No entanto, “Crash” teve sucesso no retorno do Human League de volta à proeminência mainstream em ambos os lados do Atlântico, 5 anos após seu álbum "Dare". Phil Oakey, analisando em retrospectiva, sabe o êxito comercial deste álbum na carreira da banda e um dos principais motivos pelos quais eles ainda estão até hoje na ativa, excursionando pelo mundo e gravando ocasionalmente.

Muitos críticos e fãs sempre disseram que este é o pior álbum do Human League. Eu discordo. Eu acho que é um dos melhores. Pois inclui algumas das suas mais belas canções como Human, Are You Ever Coming Back?, I Need Your Loving, Love Is All That Matters. Olhando para trás, talvez ter optado por Jam e Lewis como os seus produtores não era a sua melhor jogada, mas pelo menos eles trouxeram seu segundo maior hit, Human. Compre ou baixe na net esse álbum, ele é realmente é bom.

Um monte de críticos e fãs “die-hard” do Human League afirmaram que esse projeto era muito americanizado, ou demasiadamente pop conduzido pelos produtores Jimmy Jam e Terry Lewis, opinião compartilhada pelo DJ Marcos Vicente, fã dedicado do Human League. A única pedra preciosa do álbum para o Human League e para muitos fãs foi o hit “Human”.


O que eu mais apreciava sobre “Crash” era que o Human League exibia um quente e agradável som e tipo de dança de clube. É claro que soava "americano" - o que isso significa, não podia deixar de ser, o álbum foi produzido nos EUA pelos produtores mega-talentosos Jam & Lewis da Flyte Tyme Productions (responsáveis por contribuir para o sucesso de Janet Jackson, SOS Band, Cherelle e Alexander O'Neal).


CD de "Crash"


Crash é um disco meio hibrido, tem o típico som eletrônico 80’s, junto com o R&B de Minneapolis, que ainda soa bem hoje. Crash também demonstrou que o Human League não tem necessariamente de aderir à seu som usual fortemente sintetizado e muitas vezes soando frio, que catapultou-os para voltar ao topo que tiveram no início dos anos 80 com “Don't You Want Me!”

Devo admitir que, embora este álbum soe grande, as últimas faixas começaram a soar redundantes, até que me peguei ouvindo de novo a última faixa, intitulada “Love Is All That Matters”, uma das minhas favoritas.


Encarte especial com as letras de "Crash"


Eu penso que o que deixou os críticos perturbados com este álbum, é que algumas canções foram produzidas totalmente por Jam & Lewis, enquanto outras foram produzidas ou gravadas previamente pelo Human League e seus letristas, que pode ter causado uma inconsistência notável em estilos diferentes, lembra arranjos de Janet Jackson com a eletrônica típica das bandas inglesas. Apesar do fato de que este álbum "caiu e queimou" (crash and burned, ótimo trocadilho) nas paradas de sucessos e com muitos críticos, vale a pena ouvir.

Faixa a faixa:

Money: uma levada bem próxima à Jody Watley, Janet Jackson, Robbie Nevil, e tudo que se fazia nos EUA sob a influência do R & B, uma letra bem realista, contrapondo a liberdade ao domínio da paixão pelo dinheiro, para as pessoas serem realmente livres, precisam se desapegar do dinheiro. Simplesmente maravilhosa a letra!

Swang: o jeito da mistura pop e R & B do Prince e Janet Jackson se destacam nessa song, com um refrão beirando o repetitivo numa linha bem mais pop, distanciando-se um pouco da criatividade do Human League, usando da guitarra e refrão mais fácil para soar mais próximo do pop/rock e menos experimental que norteava o Human League até o Hysteria.

Human: Uma das mais belas músicas da humanidade, uma música pra lá de realista, principalmente após a chegada da década de 80, que revolucionou comportamentos e costumes, ele fica com outras pessoas enquanto estavam separados e se desculpa, e ela responde, que as lágrimas dela não eram de dor, mas de vergonha e culpa por ter feito o mesmo, afinal é tão humana quanto ele, e quando estavam separados ela também se envolveu em outros relacionamentos. Maravilhosa!!!

Jam: a levada mais pop domina toda a música, bem com a cara da produção, não havia como emplacar, distanciando-se muito da sonoridade do Human League.

Are You Ever Coming Back: os teclados apaixonantes do Human League reaparecem, mas com uma dose menor se comparada a Love is All That Matters e Human, construindo a base para uma letra muito bem feita.

I Need Your Loving: uma mistura de banda inglesa com o R & B funkeado da Jody Watley, com pitadas de Prince, o resultado saiu melhor do que se esperava.

Party: insistindo na mesma linha, os produtores acabaram pecando um pouco pela tentativa de fazer um álbum mais pop, tornando-se um pouco repetitivo.

Love on the Run: Um ótimo refrão conduz a música, com a levada eletrônica reconstruindo as bases do Human League, trazem uma das melhores músicas desta fase.

The Real Thing: os vocais constituem o melhor da faixa, alguns solos de teclados ajudam a construir a música, ao fundo alguns sintetizadores mais experimentais mantém o link com o resto da história da banda.

Love is All That Matters: O Human League com a sua cara real, essa música traz de volta os momentos mais inspirados da banda que mais representava a musicalidade dos anos 80, segundo o próprio Bowie define a década "O Human League é a banda que melhor representa a musicalidade dos anos 80." Love is All that Matters é quase um hino, tem uma levada apaixonante, com mais sintetizadores, e um apelo em nome do amor. Fecha com chave de ouro o quinto álbum do Human League, na opinião de muitos fãs a melhor faixa do álbum.

Marcos Vicente e Marcello Blumo