Notorious

The Police Synchronicity


Encarte do LP

"Synchronicity" lançado em junho de 1983 está entre os 100 álbuns mais vendidos na década de 80 (8.300.000 cópias). Quinto álbum do The Police, foi gravado nas Índias Ocidentais e no Canadá, com a banda consciente de que seria a sua última gravação de estúdio em conjunto.

Lado A do Tape

Produzido pelo próprio trio e Hugh Padgham, o álbum foi criado sob o conceito de sincronicidade, ou seja, há uma relação entre todos os eventos que acontecem no nosso planeta. Se uma borboleta bater as asas no oriente pode causar um furacão no outro lado do mundo. Sincronicidade é um conceito desenvolvido por Carl Gustav Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal mas por relação de significado. Basicamente, é a experiência de se ter dois (ou mais) eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa (ou pessoas) que vivenciaram essa "coincidência significativa".

Um exemplo bem conhecido de sincronicidade, é uma história real do escritor francêsÉmile Deschamps. Em 1805, Émile foi recebido com um pudim de ameixas elo desconhecido Monsieur de Fontgibu.


Lado B do Tape

Cerca de dez anos depois, ele encontrou pudim de ameixas no menu de um restaurante em Paris, e fez o pedido, mas o garçon lhe disse que o último pudim já fora servidoà outro cliente, o qual seria M. de Fontgibu.

Alguns anos depois, em 1832, Émile Deschamps estava num jantar, e mais uma vez, foi oferecido pudim de ameixas à mesa. O escritor recordou do incidente anterior e contou à seus amigos que somente M. de Fontgibu faltava ao recinto para se fazer completa outra coincidência - e no mesmo instante, agora mais velho, M. de Fontgibu adentrou ao recinto.

Opa, voltando a Synchronicity... O álbum reúne uma seqüência de singles: King of Pain, Wrapped Around your Finger e a balada Every Breath you Take (no final de 2007 me emocionei muito ao ouvir esta balada num Maracanã cheio de fãs e presenteados com uma bela apresentação do The Police).

"Synchronicity I" é a primeira faixa do álbum. O tema é explorado, repetida e hipnoticamente, até a bateria de Copeland entrar marcando forte e a voz de Sting nos trazer em versos o conceito de sincronicidade.

"Walking In Your Footsteps", a guitarra de Summers nos faz pensar nos gritos de dinossauros, enquanto Sting fala da tolice que fazemos, seguindo as pegadas dos dinossauros a caminho da extinção.

FICHA

"The Police Synchronicity"
Data de Lançamento:
1983
Faixas: 08 faixas

Faixa a Faixa:
01. Synchronicity I 3:23
02. Walking In Your Footsteps 3:35
03. O My God 4:00
04. Mother 3:03
05. Miss Gradenko 2:00
06. Synchronicity II 5:04
07. Every Breath You Take 4:13
08. King Of Pain 4:59
09. Wrapped Around Your Finger 5:12
10. Tea In The Sahara 4:11

Genero: Pop
Style: Pop/Rock
Arte de Capa: Jeff Ayeroff , Norman Moore
Engenheiro:Hugh Padgham
Fotografia: Duane Michals
Produtor: Hugh Padgham , Police, The

Gravadora: A&M Records

"O My God" revela um dos grandes trunfos deste disco: versos inteligentes e com temas fortes sem serem ambiciosos ou chatos.

"Mother", de Stewart Copeland, não é uma música para tocar nas rádios FM. Com a voz ensandecida e harmonia explorada mais em notas dissonantes do que na obviedade.

"Miss Gradenko", de Summers, é uma música de pouca duração, mas ritmada e simples.

Ao som de um sintetizador e da forte marcação da bateria, inicia-se "Synchronicity II", cujo versos não tratam de uma explicação do conceito, mas de uma exemplificação. O videoclip futurista e muito exibido na época de seu lançamento, traz Sting com o cabelo pintado e com o corte que usado nas filmagens de "Duna".

"Every Breath You Take", com sua bela letra e um arranjo impecável, alavancou as vendas do disco até para um público que lhe era indiferente, embalado pelo dedilhado abafado da guitarra, o baixo simples e a batida seca da bateria .

"King Of Pain", que dá continuidade ao disco, é mais uma letra brilhante numa melodia cativante. Possui o trabalho impecável de percussão e bateria de Stewart Copeland, sendo agressivo na medida certa. Summers, mais uma vez, prepara a base para que seus parceiros brilhem.

"Synchronicity" fecha com "Wrapped Around Your Finger"e a hipnotizante "Tea In The Sahara". A versão em cd ainda traz uma bonus track, "Murder By Numbers".

Depois deste disco antológico e os concertos para promovê-lo, o grupo acabou, vítima principalmente dos enormes egos de Sting e Copeland. Só viriam a reunir-se mais uma vez para uma coletânea fantástica, onde regravaram uma bela versão para "Don't Stand So Close To Me".


Adriana Uchoa