Notorious
The Smiths - The Queen is Dead


Parte de trás do CD

Frente do CD "The Queen is Dead "

The Queen is Dead, lançado em junho de 1986, é considerado pela maioria dos fãs dos Smiths como o melhor álbum da (curta) carreira deste grupo, e que consolidou de maneira inquestionável o sucesso da parceria entre Steven Patrick Morrissey e Johnny Marr, apesar do contexto de situações adversas que mais tarde contribuiriam para seu fim.

Marr estava tendo problemas por beber demais, havia desentendimentos entre a produtora Rough Trade e o grupo (o que fez com que o lançamento do álbum fosse adiado por quase oito meses), Andy Rourke havia sido dispensado por problemas com heroína (substituído temporariamente por Craig Gannon) e Morrissey vinha sendo interpretado por seus críticos como cada vez mais "egocêntrico e mal-humorado", provavelmente por sua conhecida aversão a videoclipes e entrevistas.

A capa do disco é uma foto de 1964 de Alan Delon em tom monocromático (uma característica que se pode conferir em outros trabalhos do grupo), na qual o ator francês parece estar morto. De algum modo, ela combina com o tom depressivo e ao mesmo tempo dançante das músicas, cujas letras não só abordam tristeza, solidão e dificuldades sobre a vida como também ironias e críticas à sociedade britânica e à igreja, brilhantemente interpretadas pela voz incomparável de Morrissey e arranjos criativos e muito bem elaborados de Marr, acompanhados pelas atuações precisas de Andy Rourke (baixo) e Mike Joyce (bateria).

Em The Queen is Dead, Morrissey critica ferozmente a família real britânica, insinuando sua omissão e distanciamento quanto aos problemas que a sociedade vivenciava e traduzindo a solidão de uma juventude sem perspectivas através da frase "Life is very long, when you’re lonely".

Sobre Frankly, Mr. Shrankly, que possui uma sonoridade mais pop e descomprometida, comenta-se que sua letra foi inspirada nas divergências entre os Smiths e a Rough Trade. Há alguma referência também sobre o mal-estar causado por não fazer o que se realmente gosta.

I Know It’s Over tem como tema o suposto fim de uma relação, numa abordagem triste, porém incrivelmente bela. As conseqüências de uma frustração parecem realmente ir de encontro ao que qualquer um de nós já deve ter visto – ou mesmo vivido – algum dia, e nos ensinam que "It’s so easy to laugh/It’s so easy to hate/(but) It takes strenght to be gentle and kind".

 
FICHA

  "The Smiths - The Queen is Dead "
Data de Lançamento:
junho de 1986
10 faixas, 37 minutos, aprox.

Faixa a Faixa:
01 The Queen is Dead - 6:24
02 Frankly, Mr. Shankly - 2:19
03 I Know It's Over - 5:49
04 Never Had No One Ever - 3:37
05 Cemetary Gates - 3:37
06 Bigmouth Strikes Again - 2:41
07 The Boy With The Thorn In His Side - 3:17
08 Vicar In A Tutu - 4:14
09 There Is A Light That Never Goes Out - 4:03
10 Some Girls Are Bigger Than Others - 3:14 Produzido por: Johnny Marr, Morrissey
Engenheiro de Som: Stephen Street
Gravadora: Sire Records


"Encarte do CD"

Never Had No One Ever segue o ritmo mais lento da faixa anterior e fala essencialmente sobre a solidão, porém sobre sua letra repousa um mistério: "I had a really bad dream/It lasted 20 years, 7 months and 27 days". O que teria acontecido com Morrissey? Com o que será que ele teria sonhado?

Cemetery Gates é tida como a resposta de Morrissey aos críticos que o acusavam de plagiar textos de autores como Shelagh Delaney e Elisabeth Smart. Oscar Wilde, outro de seus autores preferidos (que eventualmente também era acusado de plágio), estava "ao lado" de Morrissey, razão pela qual este último declarou-se "vencedor" do confronto representado na música entre ele e aqueles que o criticavam.

Em Bigmouth Strikes Again, Morrissey insinua que o fato de ele dizer o que pensa é algo tão condenável a ponto de ele não ter mais direito a fazer parte da raça humana – o que logicamente é uma auto-crítica totalmente cínica o sobre o teor de suas letras. Nessa faixa, que segue um ritmo mais acelerado assim como The Queen is Dead, há referências à Joana D’Arc e uma fã dos Smiths que era parcialmente surda e sentia-se constrangida por ter que usar uma prótese auditiva. Quando o single dessa música (que é um dos maiores sucessos dos Smiths até hoje) foi lançado mais tarde, Morrissey usou uma prótese durante os shows em apoio a essa fã. Outro ponto curioso é a voz de fundo que surge durante o refrão, atribuída a uma certa Ann Coates, quando na verdade Ancoates é o local de Manchester onde a banda formou-se, e a voz nada mais é do que a do próprio Morrissey, reproduzida de forma acelerada.

Na seqüência, temos The Boy With the Thorn in His Side, outra faixa que tornou-se clássica, e não é difícil perceber a razão disso. A melodia contagiante e a batida pop "aconteceu" nas pistas ao redor do mundo e continua convidando todos a cantar juntos sobre a eventual descrença dos outros em relação a nossos sentimentos, e a busca por uma maneira de vivê-los plenamente – "And when you want to live/How do you start?/Where do you go?/Who do you need to know?".

Vicar in a Tutu, um rockabilly com sonoridade um tanto engraçada, não poderia deixar de ser uma ironia – e dessa vez o alvo é a igreja. Embora não seja das mais conhecidas, vale a pena resistir à tentação de ir direto à próxima faixa, mesmo porque, assim como Frankly, Mr. Shankly, esta aqui representa um lado mais alegre (porém não muito lembrado) do álbum.

E finalmente (porém ainda não acabou!) chegamos a There is a Light That Never Goes Out. Uma emocionante narrativa em primeira pessoa, considerada por muitos fãs a mais bela das canções já escritas, fala sobre alguém que se declara feliz se tivesse a chance de morrer ao lado da pessoa que ama e a quem confia plenamente seu destino. Mais um hit imperdível que sem dúvida muitos apaixonados por aí já dedicaram a alguém, traz em seu título e ao fim da música a mensagem mais lembrada pelos fãs que encontraram compreensão e alento nas músicas dos Smiths em meio à melancolia, solidão e falta de perspectivas – a de uma Luz que nunca se apaga.

O álbum encerra-se com Some Girls Are Bigger Than Others, que embora apresente uma letra simples, dá margem a diversas interpretações pelos fãs por sua suposta “ambigüidade” – algo até comum se considerarmos que qualquer coisa sobre a qual Morrissey cante pareça capaz de estimular seus fãs a buscarem um sentido além daquilo que se mostre óbvio...

Considerando todos os álbuns lançados entre 1983 e 1995, The Queen is Dead alcançou a 2.ª posição no UK Chart e a 70.ª no US Chart, resultados notáveis da excelente fase musical de Johnny Marr e de um momento especialmente inspirado de Morrissey, que levaram os Smiths a nos presentear com este trabalho memorável cujas influências são percebidas até mesmo em algumas bandas brasileiras da época, contudo nenhuma delas sequer conseguiu aproximar-se da qualidade desta verdadeira obra-prima dos anos 80, que sempre valerá a pena ser lembrada!

Innen Wahrheit