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Depois de terem se juntado em 1988, o brasileiro Marcelo Donolo e o argentino Filipo, fundaram a banda Tek Noir, que ficou conhecida pela principal investida dentro do mainstream eletrônico nacional. Tiveram seu primeiro e principal álbum lançado em 1990 pela gravadora Stiletto, o “Alternative”. Já pensando no sucesso lá fora, tanto Marcelo, tecladista da banda, como o guitarrista e vocalista, Filipo, se apresentavam com nomes britânicos. O Marcelo passou a ser “Mark Rhiley”, e Filipo “Phillip Ashley.” Esse primeiro álbum já prometia muito antes mesmo de ser lançado, eles já vinham se apresentando em casas noturnas de SP e, não foi à toa que na época foram convidados para abrirem o show do Information Society no Ibirapuera. O resultado final não poderia ser outro, com todas as músicas cantadas em inglês, uma base totalmente eletrônica e experimental pra lá de dançante, marcaram esse álbum, e o Tek Noir deixou de ser uma promessa e virou realidade. Sem dúvida foi o melhor e mais acabado LP já produzido no Brasil em se tratando de música pop eletrônica.
Após o lançamento eles fizeram uma turnê promocional com mais de 80 shows pelo país. Três anos depois lançaram o “Destination”, seu segundo álbum.
Faixa a Faixa: No lado A, temos músicas mais suaves e melódicas, onde as letras insistem na introspecção e fé romântica de Phillip Ashley. “Beat The Rhythm” - É uma das principais e mais conhecidas músicas da banda, lembra muito o freestyle do Celebrate The Nun e Information Society, tanto nos samples como também no vocal, e que por sinal é excelente. “Talk Of Desire” - Efeitos eletrônicos maravilhosamente bem criados e explorados, e que relembram os tempos de Kraftwerk e Depeche no ínicio de carreira. “One Way Or Another” - A música da banda que mais teve influência do Acid House. O lado B do LP apesar de continuar ainda fortemente na linha eletrônica, já mostra um pouco outras influências, principalmente do EBM. É como se a banda tivesse duas fases distintas em um mesmo álbum. “655321” - Já começa a ser perceptível a mudança em alguns samples, onde o som fica mais “pesado”. Esse foi o hit de mais sucesso do lado B. “In The Name Of The Father” - Sem sombra de dúvidas essa é a mistura perfeita da música eletrônica com elementos sonoros que caracterizam o estilo EBM. O vocal aqui também se destaca e fica bem mais agressivo e sombrio . Eu diria até que essa música pode ser ouvida e confundida com Front 242 por alguns leigos no assunto. “Hemispheres Divide” - Já com um vocal pouco mais suave, ainda mantém nessa música timbres a la Nitzer Ebb. “The Final Fall” - Junto com “In The Name Of The Father”, é o synth que mais sofreu influência de bandas EBM. Para os fãs de synthpop, conhecer esse álbum é altamente recomendado. E quem acha que hoje em dia ainda existe música eletrônica boa, com certeza quando ouvirem ele mudarão de conceito.
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Fernando Martinuzzo |